NIETZSCHE

"E aqueles que foram vistos dançando, foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música". "Vida sem música é um equívoco". NIETZSCHE

sábado, 17 de julho de 2010

JANE-HERE WE ARE-ALEMANHA 1973





Segue mais uma postagem que dá continuidade à grande parceria entre HOFMANNSTOLL e PROGRESSIVEDOWNLOADS
.
Neste último, foi postado o incrível álbum Jane III (1974), com uma resenha muito elucidativa e digna de uma grande banda, como é o caso desta. Visitem e confiram: aqui.

Logo abaixo sigo com uma apresentação da banda, concebida pelo ilustre Sr. RODERICK VERDEN, oriunda de seu comentário na postagem citada acima. Agora vejam vocês, caros visitantes, que a precisa e enxuta viagem pela história dos lançamentos da banda, nasceu de uma "mera" contribuição no espaço reservado a comentários; e que contribuição! Quisera eu ter sempre em minhas postagens um comentarista deste nível... rs!


"O Jane é um grupo bem peculiar. Além das mudanças constantes na formação, ocorreu igualmente mudanças no seu som. Enquanto no primeiro disco(Together) não havia música instrumental, no segundo gravaram três, sendo q uma delas é a faixa de abertura. No primeiro, eles tinham um vocalista, é q só ficava por conta de segurar um microfone(rs), no segundo, o vocal é feito pelo baterista. Tal álbum contém talvez a melhor música do grupo: "Out on the Rain", q é o q costumo chamar de balada progressiva, com refrão contagiante, um mellotron q dá um clima viajante e um belíssimo solo de guitarra. Em duas das faixas instrumentais, escutamos vozes femininas. Não é um disco tão ousado como o "Together", de músicas mais curtas e de pouco tempo de audição(no máximo 33 minutos), mas é um belo disco.
O "Jane III", vcs já sabem como é.
No disco seguinte, "Lady", voltam a ter tecladista, e esse q faz o vocal(a meu ver, o pior cantor q já passou pelo Jane). Na parte das teclas, o orgão continua predominando, mas escutamos piano elétrico(o Jane nunca foi muito de usar piano)em duas faixas, há a presença de sintetizador tb. As músicas são um pouco mais curtas e simples. Já o "Fire, Water...", na minha execrável opinião, é o mais progressivo de todos, tipo space rock, com muito sintetizador. Desta vez, o guitarrista assume os vocais. Daí em diante, o grupo continua a nos surpreender, no "Age of Madness", o ecletismo chega a tal ponto, q nem parece ser um disco de uma banda só, parece aqueles discos com uns 5 conjuntos. Há quem não goste desse álbum, eu adoro! Dos anos 80, só conheço bem dois álbuns. O de 1980 é bem querido pelo público, mas tem as características de certos discos oitentistas: músicas mais simples e comercias, com solos curtos, embora ainda haja melodias sofisticadas, e, pela segunda vez, ingressa no Jane, um cantor segurador de microfone-rs, q faleceu pouco tempo depois da gravação do disco. O trabalho de 1982, é bem curioso tb, pois o grupo se tornou um trio. O baixista/vocalista, q participou do "Jane III", volta, e o som é bem pesado, porém com músicas mais curtas e solos idem- sem teclados."

Diante desta excelente apresentação, resta-me o papel coadjuvante, contribuindo com alguns pontos sobre o álbum em questão.
A primeira faixa, a maior do álbum, logo na introdução já anuncia à que veio, com forte expressão instrumental, digna do primeiro e magnífico álbum de estreia.
A segunda, é a bela "balada progressiva" - muito bem observada por nosso colaborador -; uma faixa de rara beleza, com um andamento arrastado e cadenciado. As andanças do melotron e da guitarra lembram muito o estilo da música For No One do Barclay James Harvest - outra balada inesquecível, e que pode ser ouvida no Player do blog, ou mesmo baixada na postagem do álbum ao vivo deles.
A faixa homônima é uma porrada crescente, mas tão crescente que há uma perda de controle - proposital, é claro - em que os caras parecem estar enlouquecidos, numa viagem frenética, histérica, maravilhosamente entorpecidos.
Temos ainda a inspiradíssima Daytime, outra balada melódica e com instrumental divino, em que se destaca o lindo solo de guitarras. Enfim, o álbum é de excelente qualidade. São várias faixas que dão o tom viajante do progressivo daquela época de ouro que foi a década de 1970.

MÚSICAS:

1. Redskin
2. Out In The Rain
3. Dandelion
4. Moving
5. Waterfall
6. Like A Queen
7. Here We Are
8. Daytime (Single)
9. Hangman (Instrumental)
10. Here We Are (Single)
11. Redskin (Single)

MÚSICOS:

Klaus Hess / lead guitar, bass
Wolfgang Krantz / lead guitar, bass
Werner Nadolny / organ, Mellotron
Peter Panka / drums, vocals

Brigitte Blunck / backing vocals (1), vocals (5)
Dieter Dierks / electronic f/x (6)
Ariane Gottberg / backing vocals (1), vocals (5)
Peter Heinemann / backing vocals (1)
Miriam Kalenberg / backing vocals (1), vocals (5)
Günter Körber / words, backing vocals (1)
Angelika Winkler / backing vocals (1), vocals (5)

LINK:

10 comentários:

Roderick Verden disse...

Caro Fausto,

Seu papel não foi de coadjuvante, muito inspirada, como sempre, a sua resenha. Agradeço imensamente a menção a meu nome e por ter gostado do q eu disse a respeito do(o da) Jane. Infelizmente, nosso amigo Mercenário Maldito, q disse ter gostado muito do meu comentário a respeito da citada banda, não ficou muito satisfeito com meu 'texto' com relação ao "Jane III", mas uma coisa é falar sobre o repertório completo(ou quase completo) de um grupo, outra coisa é falar sobre um determinado disco. Sou espontâneo, e meu sentimento a respeito do "Jane III" foi só o explanado no "texto". Vc e o Mercenário gostaram do q falei sobre a saga do Jane, contudo, se eu estava 'inspirado', foi devido ao ecletismo da banda alemã. Se eu fosse fazer uma resenha sobre o Emerson Lake & Palmer, por exemplo, o 'texto' seria curtíssimo, todos leitores, creio eu, ficariam indiferentes, e olha q gosto mais do ELP q do Jane... O famoso trio não é tão eclético e nem foi de promover tantas mudanças como o Jane. Nunca fui perfeccionista e nem disciplinado. Nos meus dois mais q humildes blogs, já demonstro isso. Algumas de minhas resenhas são longas, outras curtas, e, às vezes, nem as faço...
Não obstante, costumo ser prolixo, como fui agora.rs
Me desculpe.
Mais uma vez, muito obrigado.
Tudo de bom!
E parabéns pelo blog.

faustodevil disse...

Meu amigo Roderick,

Que bom que você gostou, e muito obrigado por tudo.
São poucos os que participam como você, e principalmente com contribuições tão expressivas. São atos como este que mantém nossa força para dar continuidade ao nosso trabalho.
Um forte abraço e volte sempre.
Faustodevil

Roderick Verden disse...

Prezado Fausto,

Como de costume, me esqueci de dizer uma coisa:
vc ter citado "For no One", do BJH, olha, pode parecer brincadeira, mas até me arrepio, essa é a música q mais gosto do disco "Everyone is Everybody Else". Desde q primeira vez q escutei tal álbum, fiquei chapado com a sequência de tantas belas melodias, e, na entrada do mellotron , com o vocal de John Lees, my God, é uma coisa de louco! Que refrão! Esse disco, q tenho em cd, é meu segundo predileto dessa excelente banda, o q eu mais gosto é o "Other Stories", q tenho o vinil inglês. Até mesmo a capa do "Everyone..." reflete, eu penso, o momento tão inspirado pelo qual o grupo passava-todos 4 aparentemente felizes, no auge da criatividade(até mesmo o baterista escreveu letras). O q não dá pra conformar é q o produtor banil a única música q o tecladista compôs no disco, alegando q a mesma destoava do trabalho em questão, mas, no cd , ela aparece com faixa bônus.

Obrigado, e desculpe eu desviar o assunto.

faustodevil disse...

Olá Roderick,

Pôxa bicho, eu sei que não é difícil que tenhamos os mesmos gostos (já que vivemos pela rede por entre as veias do progressivo), ainda assim, é muito bom que compartilhemos o mesmo gosto pelas duas baladas magníficas: do Jane e do Barclay.
Em verdade, eu tenho certa preferência por baladas, no contexto geral do rock progressivo.
Realmente o 3º álbum da banda é espetacular; ele é completíssimo, com várias músicas maravilhosas. Tenho antigo projeto de postá-lo no blog, porém ainda não tive inspiração para fazer uma resenha à altura.
Aproveito este papo para convidá-lo a fazer tal resenha, visto que é um grande fã.
O meu favorito deles ainda é o Once Again, pois considero She Said como um dos maiores clássicos de todos os tempos.

Grande abraço e aguardo sua resposta.

Faustodevil

Mercenário Maldito disse...

Saudações Meu caro Amigo Fausto!

Desculpe-me pela demora em fazer o link essa sua magistral postagem lá no meu mukifu, dando continuidade a nossa bem sucedida e agradável parceria.
Obrigado por ter prontamente se dedicado a divulgar essa jóia, que agora poderei finalmente conhecer. Quando o caro Roderick Verden, brilhantemente dissertou sobre esse álbum, fiquei profundamente interessado em conhecer esse trabalho.
Mais uma vez, obrigado por tudo e parabéns pela excelente postagem, como sempre perfeita.
Um Grande AbraçO!
Muita saúde e paz para todos!

Roderick Verden disse...

Oi Fausto, será um prazer colaborar. Mas não sei se o farei bem. Caso não gostar, sem problema, ok? Não precisa publicar. E fique a vontade para corrigir os erros do meu sofrível português e modificar alguma coisa, se quiser.


"Barclay James Harvest and other short stories" é o terceiro álbum da ótima banda Barclay James Harvest. Gravado em 1971, é o disco que mais gosto do grupo.

O disco começa com "Medicine Man" composta pelo guitarrista John Lees. Essa música é do estilo de "Mocking Bird"(minha música preferida do BJH). A orquestra domina a melodia, temos também um bom trabalho do saudoso baterista Mel Pritchard. Não sou muito amante de orquestra, mas o BJH consegue usá-la com muita maestria, alternando entre canções orquestradas e outras com destaque para o mellotron. "Medicine Man" é minha predileta do álbum, uma música melancólica, de letra de cunho existencial, com um tema original, bem ao estilo do genial John Lees.

Na "Someone There You Know" é chegada a vez do mellotron predominar. A música foi composta pelo tecladista Woolly Wolstenholme, que, no meu modo de pensar, é disparado o melhor cantor do BJH, dono de uma voz bem suave. Uma boa música, mas simples-apesar do mellotron- sem solos.

"Harry'Song", de John Lees, curiosamente apresenta uma melodia, cuja algumas notas são bem parecidas com a música anterior. Quem acompanhou a trajetória do grupo desde o principio, deve ter estranhado muito o vocal de John Lees, pois a partir de "Harry's Song" é que ele nos apresenta sua voz fanhosa(Vejam com há diferença em sua voz nas "Medicine Man" e em "Harry's Song". Outra melodia simples; o q eu mais gosto é o backing vocals no refrão.

"Ursula(The Swansea Song) é um som viajante e suave, com belíssimo trabalho de mellotron, composta por Woolly.

Depois segue duas músicas do baixista Les Holroyd, o voz fina do BJH. Inspiradíssimo, ele nos mostra lindas canções, com arranjos brilhantes-numa delas há a presença de uma orquestra bem agradável- solos contagiantes, num estilo parecido com Chrosby, Stills and Nash, só q mais progressivo, mais bem trabalhado.

As duas canções seguintes, "Blue Johns Blues" e "The Poet" foram, respectivamente, compostas por John Lees e Wooly Wolstenholme. Muito boas, mormente "The Poet", na qual escutamos apenas o vocal do tecladista e uma eficiente orquestra.

E o disco encerra com chave de ouro, com "After Day", de autoria de John Lees, mas com vocal de Wooly, novamente com o som alucinante do mellotron.

Meu disco é vinil inglês.

faustodevil disse...

Olá Roderick,

VALEU!!!
Valeu mesmo, meu amigo.
Muito obrigado pela rapidez com que você respondeu à minha proposta, e também pela propriedade com que o fez, a de um grande conhecedor da boa música.
O resultado disso tudo, é que a postagem do álbum do BJH já foi publicada, antes mesmo de eu responder a este comentário.

Forte abraço!

Faustodevil

Roderick Verden disse...

Obrigado. Precisando, estamos aí.
Tb adoro baladas. Gosto de grupos como Supertramp, Moody Blues, Alan Parsons Project e até mesmo o Bread(rs). Mas, a meu ver, o músico q compôs baladas mais lindas-apesar de ter composto pouco- foi o saudoso tecladista Richard Wright. Sua música, "See-Saw" é a minha canção predileta de todos os tempos, mesmo com ele, como todo músico progressivo q se preza, ter roubado o refrão de uma música clássica, de Bach.

Tudo de bom!

il trovatore disse...

Gostei muito do álbum, ainda não tinha escutado-o prestando muita atenção.
Parabéns pela postagem, seu blog é E-X-C-E-L-E-N-T-E

Abraços progressivos...

faustodevil disse...

Saudações il Trovatore,

Obrigado pela grande gentileza.
É um grande privilégio receber este elogio de você, que é o criador do M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O Máquina de Fazer Sonhos. Seu blog está entre as grandes referências na criação do HOFMANNSTOLL.

Um grande abraço e vida longa ao Máquina de Fazer Sonhos.

Faustodevil