NIETZSCHE

"E aqueles que foram vistos dançando, foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música". "Vida sem música é um equívoco". NIETZSCHE

segunda-feira, 10 de junho de 2013

THE UNDERGROUND SET-THE UNDERGROUND SET-ITÁLIA 1970





Engana-se quem pensa que o mundo da música não apresenta um constante movimento revolucionário. Lamentavelmente, esse processo é de uma involução em absoluta queda livre. Desde o final da década de 1970 acompanhamos o afloramento desse fenômeno de banalização da divina arte musical. Alguns, mais esperançosos, inocentemente, acreditavam que seria apenas um passageiro desvio de personalidade de uma geração, que logo seria reconhecido como sonho ruim. Aos poucos chegaram à conclusão que realmente era um pesadelo terrível, que assolaria o universo musical por muitas décadas.   
Felizmente, diversos (re)lançamentos de álbuns esquecidos no passado, surgem como a única esperança  para  amenizar a névoa que perdura, desde aquele tempo, até os nossos dias. Para iluminar as almas dos amantes da música nessas trevas que parecem não ter fim.
Eis que apresento esse raro renascimento de 1970, cuja sonoridade soa como um belíssimo presente aos desafortunados, renegados e órfãos amantes da verdadeira arte musical das décadas de 1960 e 1970. Uma obra instrumental monumental que retrata a vanguarda dessa banda italiana excepcional. Uma relíquia que ficou perdida no tempo. Uma tremenda joia lapidada por artistas do mais alto gabarito. Uma sensacional viagem musical que retrata a ousadia de um grupo de jovens que estava à frente do seu tempo, mormente pela coragem de lançar uma obra de rock instrumental, que passeia por outros estilos, dentre eles o progressivo; que inova, anunciando tendências para uma nova década que se apresentava, e, ao mesmo tempo, renova, mantendo o que havia de melhor da década que ficava pra trás, numa atmosfera impressionante de virtuosismo, criatividade e tantas outras qualidades sonoras extraordinárias.
Recentemente, somente após quatro décadas, sugiram informações afirmando que os integrantes da banda são, na verdade, exatamente os mesmos do ótimo grupo italiano Nuova Idea. Ou seja, os dois lançamentos (dos anos 1970 e 1971) do The Underground Set são projetos instrumentais do Nuova Idea, que precederam o lançamento oficial de seu primeiro álbum In the Beginning, também lançado em 1971.
O interessante é que esse projeto foi negligenciado pelos autores, por tanto tempo, visto que, apesar de não constar como principal, apresenta, na minha opinião, genialidade superior aos trabalhos oficiais da banda. Esse fato demonstra que não basta apenas músicos exímios para a concepção de uma obra grandiosa. Faz-se necessário um conjunto de qualidades, que são traduzidas em primordiais boas ideias, tais como: composições sólidas e extraordinárias, bem como uma grande dose de requinte.
Todas as faixas são fantásticas, e os músicos, igualmente. Órgão divino, baixo sensacional, guitarra alucinante, bateria magistral e pinceladas precisas de piano e flauta ocasionais.

07-Underground In Blue
.

14-Slaughter On The Motor Road (single B-side, 1970)


11-Emisfero (2nd version)


MÚSICOS:

- Marco Zoccheddu - guitar, vocals
- Claudio Ghiglino - guitar, vocals
- Giorgio Usai - keyboards
- Enrico Casagni - bass, flute, vocals
- Paolo Siani - drums, vocals


MÚSICAS:

01. Arcipelago 
02. Emisfero (1st version) 
03. Atollo 
04. Longitudine Est 
05. 36 Parallelo 
06. Samba Natalizia 
07. Underground In Blue 
08. Shake 26 
09. Equatore 
10. 7 Meridiano 
11. Emisfero (2nd verssion)


Bônus:
12. Tanto Per Cambiare 
13. Motor Road Underground 
14. Slaughter On The Motor Road
15. La Filibusta 

3 comentários:

Diego Andrade disse...

Precioso amigo,
Quanta verdade consagra suas sábias palavras e por mais que se manifestem demostrando um fato assombroso e desterre, ainda assim contempla beleza pela plena consciência e forma heroica de combate a esse mal-estar que plaina assombrando a grande arte.
Por outro lado, penso que vivenciamos um grande momento, triste no que diz respeito ao desconsolo que se faz vigente em relação à estética, mas imenso e emblemático na forma como se brada mais do que nunca indissolúvel a necessidade de arte para a vida humana, principalmente no quesito das bio-indicações que são imprescindíveis às mudanças. Veja que toda a forma como a música vem se degenerando é recorrente do momento desafortunado de valores que nos desconsola e, nesse âmbito, mais uma vez a música como representante maior da beleza acaba por demonstrar essa fragilidade indicando-nos o processo interminável de construção do humano. Se por um lado vemos o caos, por outro descobrimos uma ferramenta muito válida de mensuração desse caos e, por conseguinte, um instrumento capaz de nos tirar, pelo menos por alguns minutos, desse estado de barbárie.

Reli muitas vezes o seu texto e fui remetido a essa conclusão que é identificar a música como algo muito capaz de descrever não somente o tempo que nos inserimos, mas também propor e deflagrar outros caminhos e possibilidades; além, é óbvio, das demais coisas que já sabemos sobre a música e que aqui deixo implícito na forma de admiração.
No mais, concordo contigo em cada linha muito lucidamente discutida e apresentada.
Um grande abraço do fã mais silencioso e apaixonado que o Hofmanstoll conquistou desde seu fantástico nascer.
Diego

faustodevil disse...

Saudações, meu grande e poderoso amigo,

Minhas palavras se subtraem de mim frente à força e precisão das tuas. Tamanha é a propulsão da forma e do conteúdo, num envoltório de sabedoria, que soa-me quase que humilhante. Que hei de fazer então? Devo calar-me? Talvez eu deva manter minha tagarelice, a fim de fomentar mais das tuas multiformes e coloridas linhas literárias aqui nesse espaço amorfo e monocromático.
Tuas observações sobre a necessidade de mudança em função dos valores vigentes, foi exposta de maneira impecável. É realmente interessante notar como a arte reflete a expressão coetânea. Basta que foquemos o olhar na década de 1980 para compreendermos que a decadência da música é o reflexo de sociedades voltadas pro consumo desenfreado; para o modismo; e, sobretudo, para a plastificação da estética.
Eu diria que é irrefutável a ideia de que não havia outro caminho para a música - senão o agostar de sua beleza -, visto que as décadas de 1960 e 1970 foram marcadas por valores humanos muito mais dignos e louváveis. Valores esses, que foram substituídos por outros, cujo princípio estava embebido em individualidade e futilidade exacerbadas.
Talvez fosse interessante usar uma linha de comparação, entre as décadas de 1960-70 e a de 1980-90, traçando um paralelo entre a Antiguidade Clássica, de Sócrates e Platão, e a Modernidade de Kant. Talvez assim possamos vislumbrar uma noção de Juízo Estético sobrepondo nossa noção atual às noções filosóficas passadas - resultando num lixo filosófico extraordinário eheheheheh.

Valeu amigão!
Muito obrigado por tudo.

Faustodevil

Diego Andrade disse...

Amigão,
É justamente esse lixo filosófico que será produzido pela minha monografia. Acabaste de me proporcionar uma caminho inicial para começar a pensá-la, não tenho palavras e gestos para agradecê-lo! Trouxeste a tona uma grande luz para o seu amigo que vagava na morosidade e marasmo do não saber o que fazer! Pra ficar melhor só você fazendo o trabalho pra mim!!! Ops, deu certo a brincadeira??? já posso informar que o trabalho já começou a ser feito???!!! Abs cordiais!!!