NIETZSCHE

"E aqueles que foram vistos dançando, foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música". "Vida sem música é um equívoco". NIETZSCHE

sábado, 30 de março de 2013

THE TRIP-CARONTE-ITÁLIA 1971


Dentre os diversos fatores para que se possa enquadrar um álbum de música progressiva como uma grande obra, eu poderia destacar a harmonia, a beleza das composições e a qualidade dos músicos. Entretanto, creio que seja imprescindível considerar algo que é essencialmente subjetivo: a sensibilidade de cada ouvinte. Portanto, tendo em vista tais considerações, em minha insignificante subjetividade, hei de considerar Caronte como uma obra grandiosa, mormente em função da quarta faixa.
Independente da qualidade da obra, a arte da capa foi uma ideia genial. Uma belíssima representação da ilustração original de Gustave Doré, concebida para somar beleza à fantástica Divina Comédia de Dante Alighieri.
Na minha opinião, toda grande obra deve conter ao menos uma faixa extraordinária para merecer tal atributo. A banda foi muito feliz ao incluir a faixa L'ultima Ora e Ode a J. Hendrix. Um verdadeiro clássico, que esbanja sensibilidade, harmonia e lirismo.  A primeira parte da faixa tem um belo e entusiasmado vocal, desenrolado em uma melodia de beleza extremada, com fantástica harmonia e notável execução da bateria, com suas viradas sensacionais. A segunda parte é uma sensibilíssima melodia instrumental, em homenagem a Hendrix, executada com maestria pela inspiradíssima guitarra de Billy Gray.

4_L'ultima Ora e Ode a J. Hendrix


MÚSICAS:

01. Caronte I
02. Two Brothers
03. Little Janie
04. L'ultima ora e Ode a J.Hendrix
05. Caronte II

MÚSICOS:

- Joe Vescovi - Hammond organ, piano, church organ, mellotron, lead vocals
- William "Billy" Gray - electric & acoustic guitars, vocals
- Arvid "Wegg" Andersen - bass, lead vocals
- Pino Sinnone - drums, percussion

LINK:

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

BARCLAY JAMES HARVEST-AFTER THE DAY: THE RADIO RECORDINGS-BBC SESSION-INGLATERRA 1974-1976






Fico imaginando como teria sido viver em Londres durante a década de 1970, e ter tantos shows fantásticos de boa parte das melhores bandas do mundo, tocando diretamente  no rádio ou na televisão, como um presente vesperal de um típico sábado ou domingo chuvoso.
Como consolo pra quem não vivenciou tudo aquilo, em 2008 foi lançado, pela Polydor, esse grandioso  registro de um precioso momento para apresentação radiofônica da BBC de Londres.

Ainda que a banda já tenha seu registro oficial no ano de 1974 - seu grande clássico ao vivo, e já publicado no blog -, a presente obra  tem valor significativo, pois além de incluir algumas faixas inéditas para o período, trata-se de uma releitura de antigos clássicos, embora alguns soem bastante semelhantes ao outro registro. Inclusive, a faixa Summer Soldier é quase uma cópia fiel da apresentação do álbum oficial de 1974 - ambas tocadas em meados do ano -, com mudanças muito sutis na execução dos instrumentos; ou seja, mais uma vez a banda se supera ao mostrar o quanto aperfeiçoava o entrosamento entre os músicos, o quanto estavam preparados pra apresentações ao vivo, naquele período. Além do mais, ainda me impressiono com a desconstrução que foi feita, da versão de estúdio para a versão ao vivo. Considero um dos maiores feitos da banda. Toda aquela energia, aquele arranjo fantástico e a harmonia do grupo são de tirar o chapéu. A última parte da faixa é simplesmente alucinógena, com aquele entrosamento, com a deslumbrante bateria e aquela guitarra entorpecedora. Um dos registros sonoros ao vivo mais bem entrosado que já ouvi.

Já ouvi algumas pessoas reclamando do excesso de baladas extremamente arrastadas da banda. Isso é um fato, mas convenhamos que era o estilo dos caras. Certamente quem reclama, o faz porque não é muito fã do estilo. Por outro lado, confesso que há algumas que poderiam carregar um pouco mais de peso, principalmente quando se trata da bateria, que, aliás, eu não entendo, pois apesar de ser um dos pontos fortes da banda até meados da década de 1970, algumas músicas deixam a desejar nesse ponto.


Ainda sobre a questão das baladas, foram elas que fizeram o BJH ser o que é, ou o The Moody Blues ser o que é, pois se observarmos o conjunto da obra dessas duas bandas - no que se refere às  décadas de 1960 e 1970, é claro -,  podemos observar que a maioria dos clássicos são exatamente nesse estilo.
Se por um lado essas duas bandas valorizavam muito o estilo balada, por outro, diversas bandas faziam justamente o contrário. Tudo gira em torno da afinidade que temos com determinados estilos. Citarei como exemplo a banda The Nice. Muitos consideram clássico o álbum de 1969. Na minha opinião, é um bom álbum, mas é repleto de exageros, tanto no andamento muito acelerado, quanto nos excessos de solos de teclados, intercalando com passagens lentas definitivamente chatas, extremamente insulsas. E o mesmo se dá para diversas bandas de estilo semelhante. O ELP é outra banda que exagera nos excessos de chatice. O que quero dizer com isso, é que cada um é bom no seu estilo, mas é muito difícil uma banda agradar a todos, e mesmo aos que ela agrada, ainda assim deixa a desejar em alguns pontos. Por fim, The Nice, ELP, The Moody Blues e BJH são bandas excelentes que tentaram cativar seus fãs da melhor maneira possível.




Em resumo, todas as bandas são necessárias, pois há fãs para todos os estilos. O BJH é uma banda extremamente necessária, e este lançamento é um registro essencial. Aproveitem.







O link está dividido em duas partes, pois o arquivo é imenso.


_01 - Summer Soldier


_04 - After The Day


_01 -For No One


MÚSICAS:

Disc 1

1. Summer Soldier 
2. Medicine Man 
3. Crazy City 
4. After The Day 
5. Negative Earth
6. She Said
7. The Great 1974 Mining Disaster
8. Paper Wings
9. For No One 

Disc 2 


1. For No One BBC Radio 1 John Peel Session 
2. Paper Wings BBC Radio 1 John Peel Session 
3. The Great 1974 Mining Disaster (BBC Radio 1 John Peel Session) 
4. Crazy City (BBC Radio 1 John Peel Session) 
5. Negative Earth (BBC Radio 1 Bob Harris Show Session) 
6. Sweet Jesus (BBC TV 'Old Grey Whistle Test' Live Studio Session) 
7. Hymn For The Children (BBC TV 'Old Grey Whistle Test' Live Studio Session) 
8. Crazy City (BBC Rock Around the World Series) 
9. Polk Street Rag (BBC Rock Around the World Series) 
10. Rock 'n Roll Star (BBC Rock Around the World Series) 
11. Suicide (BBC Rock Around the World Series) 



LINK:

http://www.mediafire.com/?5j90j6508ilt063   part 1

http://www.mediafire.com/?ui5isv3dcqcmch6 part 2



quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

JORNAL VIRTUAL OLHO VIVO ENTREVISTA O HOFMANNSTOLL





O Hofmannstoll agradece à Márcia Tunes do grande blog CONTRAMÃO PROG ROCK e ao jornal virtual OLHO VIVO pela iniciativa de descortinar a história de uma seleção de blogs de música.
Para dar uma olhada na entrevista - que conta um pouco da história do Hofmannstoll -, clique AQUI. No final dessa entrevista, o visitante irá encontrar uma lista com os blogs que já foram publicadas nessa série. São eles: PROGROCKVINTAGE, EU ESCUTO, ENVOIYES-LA, EU OVO, PÂNTANO ELÉTRICO, STAY ROCK, PROG RESENHAS, DIFUSOR DE SOM, PLANETA PROGRESSIVO, CRIATURA DO SEBO, PROGRESSIVO VIVO, VALVULADO, MELOFILIA, MURO DO CLASSIC ROCK, BORDEL DO ROCK, OCTOPUSLAND, GRAVETOS E BERLOTAS, VENENOS DO ROCK, CONSULTORIA DO ROCK E IN MEMORY OF THE TRAVELLER IN TIME.
Não percam essa incrível série de entrevistas, cujas perguntas foram muito bem elaboradas, de forma a desenrolar precisamente as entrelinhas da intimidade dos blogs, apresentando aos leitores, de forma mais intimista, a faceta complexa que está oculta por trás das postagens. As histórias, os obstáculos, as idéias, as paixões, dentre outras coisas muito pertinentes, são apresentadas nessas agradáveis entrevistas, inclusive diversas dicas interessantíssimas de bandas e álbuns preferidos dos entrevistados. Confiram!

Vida longa à Marcia Tunes e ao jornal Olho Vivo!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

SHADOWFAX-WATERCOURSE WAY-USA 1976




Seria uma falha injustificável se eu nunca postasse essa obra aqui no blog, pois ela contém uma das mais belas músicas que já ouvi. Em verdade, essa postagem já é uma justificativa, devido à demora, pois eu já adquiri essa pérola da boa música há cerca dois anos e meio. Deparei-me com ela, pela primeira vez, numa postagem do grande Mercenário Maldito do fantástico blog PROGRESSIVE DOWNLOADS (basta clicar no nome do blog para acessar uma resenha elucidativa e histórica do álbum em questão, cujo conteúdo praticamente esgota todo o tema, restando-me apenas ressaltar um ou outro ponto para não deixar o meu texto em branco).
Trata-se de um álbum concebido com muita competência, e por músicos excelentes que demonstram, ao longo de toda a obra, muita firmeza no trato com os instrumentos, além de incrível harmonia que aparenta muita experiência, tempo de dedicação e compromisso com a qualidade da concepção dessa maravilhosa viagem musical.
Não vou me alongar muito na tentativa de apresentar a história da banda ou mesmo a qualidade do álbum em si, por considerar que seria infrutífero e, até mesmo, uma perda de tempo, pois, como já disse, o tema já foi praticamente esgotado no PROGRESSIVE DOWNLOADS.
Conforme citado anteriomente, nesse álbum está uma das mais belas músicas que já ouvi. É a faixa intitulada A Song For My Brother. É uma música progressiva instrumental de altíssimo nível, cuja beleza  é formulada em torno de uma melodia liricamente majestosa; que toca profundamente, que faz parar pra pensar e eleva todo espirito. Há uma frase melódica que se desenrola no meio da faixa e, no final, retorna triunfalmente, trazendo consigo uma sensação de infinidade; e a beleza da música é intensamente multiplicada, sendo justificada pelo belíssimo arranjo que funciona como um tônico, dando a sensação de totalidade e de esgotamento das possibilidades da essência melódica. É realmente uma viagem alucinante. 
Por fim, deixarei as sábias e inspiradas palavras do meu caro amigo Mercenário Maldito, em relação à última e mais bela faixa do álbum: "A Song For My Brother" é a minha faixa preferida. Não apenas pelo belíssimo arranjo, mas essa composição "respira", "pulsa" é como se fosse um ser vivente, que evolui no tempo e no espaço. Não tenho como descrevê-la com absoluta fidelidade, somente ouvindo para entender, pois parece que toda a composição é uma grande brincadeira com a variável "tempo".      

_A Song For My Brother

MÚSICAS:

01. The Shape Of A Word (Stinson) - 7:29
02. Linear Dance (Stinson) - 5:51
03. Petite Aubade (Greenberg / Stinson) - 5:59
04. Book Of Hours (Maluchnik) - 6:37
05. The Watercourse Way (Greenberg / Stinson) - 6:04
06. A Song For My Brother (Stinson) - 9:41

MÚSICOS:

Chuck Greenberg: Lyricon, Saxophone, Flute, Oboe
Phil Maggini: Bass
Greg Stinson: Guitar, Sitar, Vocals
Doug Maluchnik: Piano, Electric Piano, Synthesizer, Harpsichord
Stuart Nevitt: Drums, Tabla, Percussion

domingo, 30 de dezembro de 2012

DALTON-RIFLESSIONI IDEA D'INFINITO-ITÁLIA 1973








O grupo Dalton surgiu das profundezas italianas, das cinzas de outra banda do final da década de 1960, também chamada Dalton, cujo estilo musical pouco se assemelha ao que é apresentado aqui. Dos músicos da década de 1960 - em que Mauro Pagani fazia parte, antes de integrar o PMF -, só restou o tecladista Temistocle Reduzzi, pra reformular a banda em 1973. Este novo grupo emergiu para apresentar uma nova proposta, notadamente muito mais grandiosa e inovadora , apresentando um estilo  progressivo fantástico, repleto de influências claramente perceptíveis, entretanto esbanjando originalidade.
Das influências mais gritantes, podemos vivenciar momentos muito familiares de guitarra, flauta e teclado, que nos remetem a Zeppelin, Jethro Tull e New Trolls, respectivamente. Entretanto, tais referências são pontuais, ou seja, é uma obra dotada de originalidade, em que a genialidade da banda supera as expectativas. 
É interessante a forma como se dá o amadurecimento do gosto por essa obra que, apesar de músicas relativamente curtas, é capaz de nos envolver nos pequenos detalhes da concepção em si, que vão desde cativantes arranjos instrumentais, passando pela harmonia impecável e por composições demasiadamente audaciosas, a melodias impregnadas de sensibilidade.
Ouvindo a obra de forma sequencial e ininterrupta, tem-se a sensação de unicidade, de continuidade, apesar das características singulares de cada faixa. Talvez até a intenção de Idea D''infinito, citada no título da obra, tenha uma ligação direta com essa questão, pois todas as faixas são interligadas, com exceção da terceira pra quarta música; o que é um dos pontos intrigantes do álbum. Há uma frase musical, que ocorre em quase todas as faixas, que também é algo bastante intrigante. Ela está no início e no final da segunda faixa, no início e no final da terceira, no final da quarta, no início e no final da quinta e no início da sexta e última faixa. É estranho, pois as faixas estão interligadas, mas a "ideia de infinito" parece que é interrompida em alguns momentos. Mas uma coisa é certa: a beleza da obra não tem limites.

01_ Dalton - Idea D_infinito


02_ Dalton - Stagione Che Muore

MÚSICAS:

1. Idea D'Infinito 
2. Stagione Che Muore
3. Cara Emily 
4. Riflessioni 
5. Un Bambino, Un Uomo, Un Vecchio 
6. Dimensione Lavoro 


MÚSICOS:

- Temistocle Reduzzi / piano, organ,mellotron, moog, synth and vocals
- Aronne Cereda / acoustic and electric guitars, vocals
- Rino Lamonta / bass guitar and vocals
- Walter "Tati" Locatelli / drums and vocals
- Alex Chiesa / flute and vocals


LINK:

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

MACHINE-MACHINE-HOLANDA 1970




Único álbum dessa banda de hard rock com alguma influência de progressivo. Eu o enquadrei na lista de álbuns que possuem uma faixa que se destaca profundamente das restantes.
É um  obra relativamente interessante, contendo composições interessantes com ótimos arranjos instrumentais, incluindo sax, flauta, clarinete, trompete, dentre outros,   e um ótimo vocalista - recém saído de outra banda holandesa chamada Dragonfly, que lançou o ótimo álbum Celestial Dreams em 1968. 
Entretanto, o grande trunfo do álbum fica a cargo da belíssima Sunset Eye, disparadamente a melhor, fazendo valer o álbum como peça indispensável em qualquer coleção. Parece que os caras concentraram toda energia para esta, que é a última faixa do álbum, pois é realmente uma raridade de tirar o fôlego e arrancar do ouvinte exclamações profundas.
Já na introdução, uma guitarra fazendo base e outra solando, logo em seguida, ainda na introdução, surge a fantástica base - que é o força propulsora de toda a faixa, composta de guitarra, baixo e bateria -, seguida de um solo de sax tenor. O vocal se apresenta de forma arrebatadora, com todo sua fúria e lirismo, sempre acompanhado do maravilhoso órgão hammond. Lá pelo meio da faixa, o vocal dá lugar a um lindo e inspiradíssimo solo de trompete, o que agrega muito mais beleza à esta música maravilhosa. O vocal assume novamente seu importante papel, até a chegada do alucinante solo de guitarra, com um timbre rasgado e de uma melodia encantadora. É um daqueles solos que merecem entrar para a galaria dos melhores de todos os tempos. Simplesmente entorpecedor! E a faixa ainda continua por mais algum tempo, com um belíssimo piano solando, soando de forma desproporcional diante daquela monumental base e magníficas viradas da batera.


08-sunset eye


MÚSICAS:

1-Rainmaker 
2-Virgin 
3-Say goodbye to your friends 
4-God's children 
5-Old black magic 
6-Spanish roads

7-Lonesome tree
8-Sunset eye 


MÚSICOS:

John Caljouw: Vocals
Francois Content: Trumpet
Wim Warby: Tenor sax
Maarten Beckers: Saxophone, flute, clarinet
Hans Sel: Guitar
Paul Vink: Keyboards
Jan Warby: Bass guitar
Jan Bliek: Drums


Link:
http://www.mediafire.com/?godta2ddv3hntds

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

MOTO PERPÉTUO-MOTO PERPÉTUO-BRASIL 1974





Acredito que Guilherme Arantes daria um bom estudo de caso para a psicologia - bem como tantos outros músicos brasileiros e estrangeiros -, pois por ter passado, voluntariamente, de grande músico, letrista e compositor do cenário nacional, para bestial contribuinte para a produção de lixo sonoro que promove a manutenção da miséria humana. Se bem que, em verdade, pouquíssimos músicos da década de 1970 mantiveram  o nível de qualidade de outrora. 
Confesso que tenho consciência de que estou sendo severo quanto à questão, pois sei que há uma infinidade de fatores que levam o artista a se vender, tais como: históricos, mercadológicos,  econômicos e tendências políticas e culturais. Entendo perfeitamente que o artista acaba sendo pressionado a escolher acompanhar o estado das coisas ou então, manter suas paixões artísticas e correr o risco de cair no esquecimento - como aconteceu com tantos artistas ao longo da história.
O que está feito, está feito! Mas será que não poderia ser diferente? Praticamente do final da década de 1960 ao final da de 1970, na grande maioria dos casos, foram os artistas que definiram os movimentos culturais. Quando eles apresentavam suas ideias, a parcela mais intelectualizada da sociedade aprovava e aplaudia. A "grande massa" aceitava de bom grado, pois para esta - a parcela menos favorecida intelectualmente -, não importava se era ou não música de qualidade, desde que tocasse nas novelas e nas paradas das emissoras de rádio; eles só queriam que as músicas os fizessem balançar o esqueleto ou que tocassem seus corações, e quando eram muito complexas, eles descartavam. Enfim, o mercado absorvia o que os artistas ofereciam, e distribuía a todos. Havia música para todos os gostos, e, em sua grande maioria, com um mínimo de qualidade e de compromisso com a arte.
Infelizmente, no atual cenário musical - em que há uma intensa involução dessa arte -, fica fácil observar que a música de hoje não é mais feita para todos, como no passado. Hoje há prejudicados e beneficiados. O mercado, certamente, é o mais beneficiado. A grande massa é também beneficiada, pois o que não falta é produção de lixo sonoro descartável. De outra forma, ela também é prejudicada, mas a médio e longo prazo, pois há uma mudança de valores que é, em parte, causada por tanta coisa ruim, ou pela falta de conteúdo de qualidade. Por fim, os mais prejudicados são, sem sombra de dúvida, os amantes da música de qualidade. Parafraseando a mim mesmo, digo que esta parcela da sociedade está fadada a cavucar nos escombros do passado para conseguir algo consistente, pois não há quase nada sendo produzido pra ela.   
A grande verdade disso tudo é que todos sairão prejudicados com esse abandono do compromisso com a qualidade, com essa ruptura com o modelo das décadas de ouro da música. Eu acredito que a arte é um dos fatores essenciais para a construção da essência social do homem. É angustiante pensar o que será dos jovens no futuro, com um presente saturado de miasmas oriundos da putrefação da arte musical.
Voltando ao passado, antes de falar do Moto Perpétuo, vou comentar a faixa Amanhã, do álbum Ronda Noturna, de 1977, que foi o segundo da carreira solo de Guilherme Arantes. Fico imaginando o impacto que essa música causou quando do seu lançamento. Confesso que imagino que seria impraticável seu lançamento hoje em dia, pois ela tem 7:39m e é repleta de ingredientes progressivos, de lirismo, de poesia. Uma música feita pra todos os gostos (daquela época). No minuto 4:03 finaliza tudo e começa um arranjo vocal que segue sem instrumentos, intercalando apenas com o silêncio, e assim vai por quase um minuto, até que surge um piano, e as vozes se fundem num coro inspirado, simultaneamente à eclosão do fantástico instrumental progressivo, com orquestra de cordas e uma guitarra alucinante, tudo numa progressão intensa, até o final.  Música da mais alta qualidade e um dos grandes registros do progressivo. No entanto, até hoje, quando toca no rádio, não é na íntegra. Até mesmo nas coletâneas do autor, ela é cortada. (a faixa está no player abaixo para audição online)
Quanto ao Moto Perpétuo, eles lançaram dois álbuns: o homônimo, em 1974, e São Quixote, em 1981.  O segundo álbum só teve a participação de Guilherme Arantes tocando teclados em algumas faixas, pois ele abandonara a banda em 1975, para começar sua bem sucedida carreira solo.
É um álbum com letras e composições de alta qualidade. Com instrumental impecável, os músicos dão corpo e espírito às músicas, com precisão e carisma, seguindo uma linha progressiva bem ao estilo da época. Baixo e bateria estão à altura das grandes bandas daquele período.
A maioria das músicas é relativamente curta, o que deixa a desejar um pouco, pois em decorrência disso, não se reserva espaço para solos pertinentes dos teclados, guitarras e violoncelo. O que é um tanto decepcionante, pois dá uma sensação de subtração, visto que as composições clamam por supostos belíssimos solos. No entanto, apesar de raros, os solos existentes são, de certa forma, compensadores, e a bela e afinada voz de Guilherme Arantes se encaixa perfeitamente  ás estruturas das músicas, proporcionando uma agradável viagem sonora.

03 - Verde vertente


05 - Três e eu

_Amanhã _ Guilherme Arantes



MÚSICAS:


01 - Mal O Sol
02 - Conto Contigo
03 - Verde Vertente
04 - Matinal
05 - Três E Eu
06 - Não Reclamo Da Chuva
07 - Duas
08 - Sobe
09 - Seguir Viagem
10 - Os Jardins
11 - Turba



MÚSICOS:

Guilherme Arantes - keyboards, vocals
Egydio Conde - guitar and vocals
Burani Diogenes - percussion and voice
Gerson Tatini - bass and vocals
Claudio Lucci - acoustic guitar, cello, guitar and vocals 


LINK:
http://www.mediafire.com/?59e5v6zkuv7i1zb

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

PERCEWWOD'S ONAGRAM-TROPICAL BRAINFOREST-ALEMANHA 1972






Belíssima raridade que só tinha sido lançada de forma independente, ficando perdida até o lançamento  do CD em 2003. Ou seja, mais um daqueles casos que não se pode entender, pois trata-se de uma banda repleta de valores expressivos. Felizmente, mesmo independentes, permaneceram na estrada de 1969 até 1974, cujo resultado foi o registro de quatro álbuns, sendo este, o terceiro.
Michels Wolfganf é a grande figura que merece boa parcela dos créditos pela realização desse álbum, pois foi o mentor das composições, das letras e da produção. Esse cara é bastante cultuado em seu país, tanto por sua carreira solo quanto por sua participação ativa na banda. Ele é realmente uma figura fora da curva, detentor de uma aspereza poética, em suas letras, quando fala da guerra e de suas  inquietações existencialistas. 
As faixas do álbum são resultado de uma mistura de folk rock, progressivo, rithm'n blues e música psicodélica. Algumas faixas são combinações acústicas, em que flautas, pianos e violões desempenham um papel fundamental, somando na criatividade das composições.
Topical Barainforest é simplesmente fantástica! Música inteligente com vocal altamente inspirado e agradável. O instrumental é sensível e cativante, tendo a flauta e o piano como representantes da beleza, e a bateria desempenhando o papel de firmeza e precisão.
Creature Called Man segue a mesma linha de beleza cativante. Os vocais são inspiradíssimos no reforço dessa belíssima canção.
É muito gratificante saber que ainda há bandas totalmente originais, e fora do cotexto comercial e depreciador da atualidade. Muito satisfatório ouvir música de qualidade feita por músicos que tem a arte em primeiro plano.

02-Tropical Brainforest


04-Creature Called Man


 MÚSICAS:

01. Welcome To The Madness - 0:33
02. Tropical Brainforest - 5:04
03. Who's The Sailor - 4:35
04. Creature Called Man - 5:28
05. Doing It - 3:28
06. The Carcrash - 7:48
07. That Singer Is Right - 2:50
08. Grey Sunday - 2:57
09. It's All Over - 4:21
10. Cry Out (Why Don't You Smile At Least) - 5:02-bônus
11. Chicago (Live 1972) - 13:02-bônus

MÚSICOS:

- Wolfgang Michels - lead & backing vocals, electric & acoustic guitar, producer
- Klaus Kaufmann - piano
- Hans-Jürgen "Jojo" Ludwig - drums, percussion, Spanish guitar (05)
- Edgar Muschketat - mouth-organ, sound effects, percussion, backing vocals
- Thomas Moench - flute

LINK:
http://www.mediafire.com/?2kf8j4y6gnfxl9s

domingo, 19 de agosto de 2012

[REPOST] LUCIANO BASSO-VOCI-ITÁLIA 1976




A impressão que tenho quando ouço esta obra, é que esse cara passou uma década inteira esmiuçando cada álbum das melhores bandas de progressivo, observou acorde por acorde de todos eles na intensão de delinear e projetar a melhor forma de se produzir algo o mais próximo da perfeição. Como eu disse, fica a impressão, pois a verdade é que tudo que está aqui é muito original, e é realmente perfeito. Luciano Basso compôs belíssimas músicas e decidiu que a apresentação delas deveria ser através do rock progressivo, e acertou em cheio, pois este estilo proporcionou-lhe as ferramentas necessárias para que ele desse vida à sua magnífica obra.

É um álbum de progressivo instrumental muito influenciado pela música clássica, em que Luciano Basso deixa sua marca mostrando-se um excelente instrumentista - acompanhado por um time de outros intrumentistas muito maduros - expressando toda sua nostalgia e melancolia em texturas incríveis com seus teclados.
Destaque para as duas últimas faixas, e para a primeira com uma guitarra a la Steve Hackett.
Quando ouvi este álbum pela primeira vez, foi algo surreal, eu não estava acreditando no que estava ouvindo; foi muito parecido com o que aconteceu quando ouvi, também pela primeira vez, o álbum Four Moments do Sebastian Hardie. Foram experiências maravilhosas que eu não tinha há décadas. Esses dois momentos me marcaram muito e, por isso, tenho um enorme prazer em compartilhar.
São momentos raríssimos proporcionados por obras de raridade proporcional. Fato que me traz à lembrança uma passagem de Schopenhauer, em que ele teorizava à cerca do ser humano, sugerindo que a felicidade seria apenas a interrupção temporária de um processo de infelicidade constante inerente ao ser humano; ou seja, esses momentos deixaram uma marca profunda em mim, fazendo com que eu sempre retorne a eles de forma saudosista.
Este filósofo foi fundador da idéia de que a música constitui um dos poucos e o mais expressivo meio capaz de propor a libertação do homem, face às mazelas da vida. Tais ideias acabariam por influenciar Nietzsche na concepção uma de suas melhores frases: "VIDA SEM MÚSICA É UM EQUÍVOCO". Tal influência também me atingiu, de forma que terminarei esta postagem com a seguinte frase: À CERCA DE MIM, POSSO AFIRMAR QUE PROGRESSIVO SEM VOCI E FOUR MOMENTS É COMO A MPB SEM CHICO BUARQUE.

01 - Preludio

 04 - voci




MÚSICAS

1-Preludio (7:35)
2-Promenade I° (4:45)
3-Promenade II° (6:19)
4-Voci (10:52)
5-Echo (9:17)

MÚSICOS

Luciano Basso / piano, organ, mellotron, electric piano, harpsichord
Luigi Campalani / violin
Massimo Palma / cello
Mauro Pernotto / contra bass, electric bass
Michele Zorzi / guitar
Riccardo Da Par / drums

LINK:
http://199.91.152.112/nqi0pkxwtfmg/acl9579pbgimbz8/LucianoBasso-Voci.rar